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Nem (abra-se o caderno do passado)
se fôssemos parentes saberias
o que guardava-me a mente a teu lado
pelo correr das noites e dos dias,
quando, sôfrego, à máquina escrevias
páginas de um jornal - ou quase um brado
que ia e voltava a teu convívio, alado
tropel sobre impassíveis geografias.
Como decifrador de calendários,
a batalha dos signos açulava-te
a matilha de ventos operários.
Eras real, um homem verdadeiro.
Mais não pude guardar, se o que eu sonhava
era ser aprendiz de feiticeiro.
Florisvaldo Mattos,
em "Caligrafia do Soluço"
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[tantos sonhos revelados],
compreendo o sentido
do que sofrias calado.
Vendo, revendo tuas fotos
[os sorrisos tão velados],
apreendo nos teus olhos
um pesar dissimulado.
Já dez anos me separam
do dia que te levaram
para a fria sepultura,
mas a tua morte, triste,
não amornou o ardor
que, de ti, em mim existe.
Fred Matos
Em "Eu, Meu Outro"
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