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POEMAS DEDICADOS

 

 

Ariovaldo Matos, In memmoriam

 

Nem (abra-se o caderno do passado)

se fôssemos parentes saberias

o que guardava-me a mente a teu lado

pelo correr das noites e dos dias,

 

quando, sôfrego, à máquina escrevias

páginas de um jornal - ou quase um brado

que ia e voltava a teu convívio, alado

tropel sobre impassíveis geografias.

 

Como decifrador de calendários,

a batalha dos signos açulava-te

a matilha de ventos operários.

 

Eras real, um homem verdadeiro.

Mais não pude guardar, se o que eu sonhava

era ser aprendiz de feiticeiro.

 

Florisvaldo Mattos,

em "Caligrafia do Soluço"

 

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ULTIMOS SINOS DE INFÂNCIA

Para o escritor Ariovaldo Matos, meu tio.

Os sinos ainda dobram
lá na torre da matriz.
São velhos sinos vibrantes.
Ecos sonoros. Distantes.
Sonhos felizes de outrora.
Hoje, meras cicatrizes.
Melancolias de agora.
Os sinos ainda dobram
lá na torre da matriz.
São velhos sinos vibrantes.
Sonoros sonhos sutis.
Últimos sinos da infância
de quem sonhou, por instantes,
algum dia ser feliz.


Kátia Drummond
Em "Lucidez Profana"

 

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AO MEU PAI


Lendo, relendo teus livros

[tantos sonhos revelados],

compreendo o sentido

do que sofrias calado.

 

Vendo, revendo tuas fotos

[os sorrisos tão velados],

apreendo nos teus olhos

um pesar dissimulado.

 

Já dez anos me separam

do dia que te levaram

para a fria sepultura,

 

mas a tua morte, triste,

não amornou o ardor

que, de ti, em mim existe.

 

Fred Matos
Em "Eu, Meu Outro"

 

 

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